High Speed Press Plate / José Luís Neto en/em Madrid

High Speed Press Plate – José Luís Neto

 Circulo de Bellas Artes / Madrid 24.05.07 / 01.07.07

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Uma ida à última exposição de José Luís Neto será sempre sinónimo de um confronto vivencial com um fotógrafo que, reiteradamente, evoca a liberdade como o mais subtil antídoto para combater o marasmo que poderá significar o acto de fotografar. Já Vilém Flusser dizia que: “(…) las ‘mejores’ fotografías son aquellas en las que el fotógrafo ha sojuzgado el programa de la cámara para adaptarlo a sus intenciones (…)”.

Para quem ainda não conhece a sua singular obra, que nos cativa não só pela sua aparente simplicidade processual mas também pela sua profundidade temática, High Speed Press Plate poderá resultar um tanto ou quanto fugaz. Habitual artífice de uma fotografia pujante em originalidade, nesta primeira exposição individual em Espanha, que se nos é apresentada no Círculo de Belas Artes, em Madrid, José Luís Neto volta a surpreender.

Partimos de catorze negativos de vidro – guardados numa caixa cujo dado mais relevante são as quatro palavras em inglês, que darão o nome à exposição – para uma digitalização. E da digitalização para a impressão em jacto de tinta sobre papel de grande formato que “habita”, actualmente, a Sala Juana Mordó.

Estes negativos de vidro contam-nos uma história invisível: corroídos, consumidos e desgastados pelo tempo, qualquer tentativa de interpretação formal é infecunda. A memória e as recordações resultam inacessíveis. José Luís Neto apercebeu-se desta amnésia forçada e quis levantar o véu sobre uma história que deu lugar à pátina, aos fungos, aos pós. Quis ver o invisível. Quis reacender as cicatrizes de uma memória que só os protagonistas activos e passivos do negativo viveram. Se nos detivermos um pouco sobre o nosso passado, concluimos que as recordações não se alinham com regularidade.  

Ao visitante da exposição resta o papel de cúmplice: “Si fuera capaz nuestra memoria de recuperar todo lo vivido, la nostalgia no existiría, dejaríamos de comprenderla.” José Luís Neto, neste trabalho, recupera o brilho de um tempo que já passou e ressuscita-o num presente de sombras e irregularidades temporais.

Cláudia Camacho (AntiFrame)

 


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