O Estranho Caso de Fernando Nobre

© Daniel Rocha (Público)

Vejo uma fotografia de Fernando Nobre junto da mais recente Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e detenho-me na sua expressão. É a expressão facial de Fernando Nobre que retém o meu olhar. Ser um bom homem, hoje em dia, não chega. E a Nobre não lhe falta a nobreza humana mas sim a assertividade tão necessária para assumir um cargo político. Um homem que trabalhou em acções humanitárias em cerca de 180 países do Mundo deve ter visto mais do que todos os olhos daqueles que ocupam os 230 lugares das bancadas parlamentares. Mas isso não chegou. Um homem que dedicou mais de metade da sua vida a ajudar o “Outro” é julgado pelo “Outro”, também. O “Outro” que Fernando Nobre ajudou é, em muito, diferente do “Outro” que avalia as suas capacidades políticas. Provavelmente, porque nunca precisou da respiração boca a boca de Fernando Nobre, ou da reserva de sangue que Fernando Nobre fez chegar aos mais necessitados para que estes continuassem agarrados ao respiro da Vida. Ser um bom homem, hoje em dia, não chega. Há uma espécie de ingratidão nesta história. Acredito que haja padres que quando estão a celebrar um casamento saibam de antemão que aquela união não vai durar muito tempo. Há coisas que não têm a mínima ligação possível. Fernando Nobre e Política não casam. E, no caso de se casarem, a derrocada estará sempre eminente. Aquelas derrocadas que Fernando Nobre deve ter visto vezes sem conta nas ajudas que prestou ao “Outro”. Se eu gosto de Fernando Nobre? Gosto. Se teria votado nele para Presidente da Assembleia da República? Não. E é aqui que esta coisa da Política me deixa confusa.

Cláudia Camacho


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