Portuguese participation | Ideological Guide to the Venice Biennale 2013 by Jonas Staal

Oh so typical!

O Estado escolheu-a mas cortou nas verbas para a representar. A figura do curador, neste caso, foi totalmente irrelevante. A artista fez-se por si e é o retrato actual da figura do “artista marketeer”. A escolha de Joana Vasconcelos para representar Portugal na Bienal de Veneza 2013, com o projecto navegante “Trafaria Praia”, não poderia ter sido a mais acertada face à conjuntura actual do país: a autêntica deriva governamental.
O percurso artístico de Joana Vasconcelos – que nos seus inícios gozou de uma muito interessante visão subversiva face à sociedade – apresenta agora uma paixão pelo clichê nacional. Desconforta alguns críticos e curadores nacionais, mas apaixona o observador comum. O sector da arte em Portugal vira-lhe a cara, no entanto, os recordes de bilheteira são dela. E é também dela que o Estado gosta, almejando a sua resiliência. Acredito que todo o vazio conceptual pode ser preenchido por uma boa acção de marketing. Não é disso que trata, actualmente, a Bienal de Veneza? Joana Vasconcelos sabe fazê-la muito bem. Portugal é um país bipolar. Confesso que tenho alguma dificuldade em lidar com ele.

(English version)

Oh so typical!

The State chose her, but cut off her funds. A curator was, in this case, totally irrelevant. She is a selfmade artist, and represents the perfect portrait of the “marketeer artist”. Choosing Joana Vasconcelos to represent Portugal on the 2013 Venice Biennale, with the navigator project “Trafaria Beach”, could not have been a more accurate choice in light of the current status quo of the country: total governmental adrift (Portugal was rescued in 2011 by the International Monetary Found).

The artistic journey of Joana Vasconcelos – that in the beginning had a very interesting subversive vision of society – now represents a passion for national cliché. It makes some critics and curators uncomfortable, but enchants the common spectator. In Portugal, the art sector neglects her, but ticket sales records are hers. And the State likes her, aiming her resilience. I believe that all conceptual void can be fulfilled by a good marketing campaign. And isn’t that what the Venice Biennale is all about? Joana Vasconcelos masters it. Portugal is a bipolar country. I too confess to have a difficult time dealing with it.

Cláudia Camacho | Independent Curator, Founder AntiFrame – Independent Curating Project

http://venicebiennale2013.ideologicalguide.com/

 

trafaria


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